terça-feira, 24 de setembro de 2013

simplesmente





Sentada na areia, ouvi o leve barulho que o mar fazia ao bater nela. Tudo me parecia fantástico ao ponto de achar que aquele lugar era meu. Tudo me trazia recordações. O barulho do mar fazia-me lembrar as gargalhadas, os meus dias de hoje na canoagem, os suspiros dos casais de namorados que ali se encontram remetiam-me para um lugar maravilhoso , até o cheiro a maresia se identificava comigo. Mas de repente tudo parou. A chuva começou a cair bem certinha no mar e toda a gente acabou por sair de lá deixando-me leve e triste naquela praia. Não havia razão para me sentir assim, simplesmente aquele cenário fazia-me sentir livre. Palavras, gestos e fantasias apoderaram-se de mim naquele e em quase todos os momentos seguintes ao sucedido, só ouvia aquela voz, só respirava aquela música das ondas, Agarrei num papel, escrevi a mensagem “ Quantas vidas já foram destruídas pelo mar, quantas mães perderam os seus filhos, quantas crianças ficaram órfãs e quantas mulheres perderam os seus maridos.” Meti numa garrafa que ali tinha deixado em dias anteriores e atirei-a com esperança que outro ser, tal e qual como eu, sentido exatamente as mesmas coisas que eu, visse a mensagem. Senti-me bem ao fazê-lo. Senti-me mais uma vez como um pássaro. Deparei comigo mesma a pensar que nós “humanos” somos um ser completamente insignificante, comparando-nos com o mar, com aquela força imensa que se apodera quando quer de tudo e de todos.  


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